domingo, 20 de fevereiro de 2011

Asilo

Na semana retrasada fui visitar uma tia que foi colocada  num asilo por seu filho. A casa muito simpática, com folhagens na varanda, peças amplas, bastante claridade  e limpa. A encarregada muito solícita, atenta, tem um enfermeiro e duas auxiliares. Acho que no total contei dez idosos, que para o tamanho da casa e o número de cuidadores creio que está dentro do limite. Mas o problema não é este. O problema está no olhar do idoso. Aquele olhar perdido em algum ponto que não se sabe se do presente ou do passado, sentado numa cadeira de plástico vendo a vida passar, sem participar dela. A família vem de vez em quando visitar. A sua casa, que construiu com tanto sacrifício e luta, agora não pode mais usufruir, está na casa dos outros, uma visita. O seu direito de ir e vir depende de um portão chaveado,  fugir? E prá onde? Como? O seu dinheirinho está sendo usado para pagamento do asilo. A sua casa foi fechada e vai ser colocada à venda. As suas forças estão cada dia rareando mais. 
Fiquei muito triste com tudo o que vi e senti. Se um dia você pensar em colocar alguém seu em um asilo, coloque-se antes no lugar desse idoso. Pense em sua vida como é e como ficará num asilo.  Olhe bem para todas as suas coisas, seus lugares, suas manias, seus afetos e sinta como seria perder tudo de repente, e ficar tão só, como visita na casa de alguém, abandonado numa varanda, olhando a vida passar, sem participar. Que Deus tenha misericórdia de todos nós e nos dê uma velhice com mais dignidade.
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